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Bicicleta Fantasma, em homenagem aqueles que tombaram no trânsito de Ilhéus.

Bicicleta Fantasma, em homenagem aqueles que tombaram no trânsito de Ilhéus.

Andar de bicicleta pela cidade, nada mais divertido para se fazer, menos em Ilhéus. Desbotada e desgastada por uma elite burra e ultraconservadora que vem ao longo dos anos dilapidando a beleza daquela que já foi considerada a “joia dos mares do sul da Bahia”, hoje a cidade de São Jorge dos Ilhéus é apenas o exemplo de uma decadência econômica que salta aos olhos e não inspira confiança nem esperança no futuro, ao menos com o quilate dos políticos que dela se aproveitam para explorar o cidadão comum e não se preocupam com o amanhã, pensando apenas no que está acontecendo agora através de um individualismo sem precedentes. Vejamos a situação da mobilidade urbana.

Já faz algum tempo que um grupo de ciclistas correu à Prefeitura para tentar discutir uma proposta de mobilidade urbana pautada na reurbanização de alguns espaços públicos e implantação de vias exclusivas para o tráfego de bicicletas através de ciclofaixas e ciclovias. Originalmente, a proposta havia sido discutida por um grupo de estudantes durante uma das disciplinas do curso de Geografia da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC e o projeto estava praticamente pronto, precisando apenas de alguns ajustes e a elaboração da planilha de custos para a sua efetivação. Mas o que assistimos? A total negação, negligência, incompetência e visão obtusa das diversas Secretarias que sempre nos recebiam (o pessoal da recepção, nunca os Secretários) e diziam que analisariam a proposta e depois entrariam em contato.

Passados três anos destas infrutíferas tentativas, temos uma cidade desconectada com a realidade – a partir do momento que negam a existência dos ciclistas e pedestres – que sequer se propõe a construir uma ciclofaixa em qualquer das suas avenidas. Lembrando sempre que a maioria das avenidas de Ilhéus possui quatro vias e somente duas são utilizadas pelos veículos e as faixas laterais são empregadas para estacionamento de carros. Aqui cabe a pergunta: onde está o respeito à minha cidadania, ao meu direito de existir enquanto ciclista? Em Ilhéus este direito não existe, ou apenas aparece quando os usuários de bicicletas sofrem graves acidentes ou são mortos, como os dois casos recentes em que um cidadão foi atropelado na ponte do Pontal e encontra-se internado em estado grave no Hospital de Itabuna após sofrer traumatismo craniano seguido de perda de massa encefálica e uma garota foi morta por um caminhão ao ser atropelada na Avenida Ubaitaba logo após sair do seu local de trabalho, ironicamente uma loja de bicicletas.

O poder público municipal segue negando a existência dos milhares de ciclistas que se utilizam da bicicleta como meio de transporte pois não querem perder tempo no interior do precário serviço de ônibus prestado por duas empresas e cujos horários e qualidade dos serviços não estão a altura do porte da cidade. Não vejo perspectivas imediatas para a solução do problema, que dirá no longo prazo. Assim, segue a prefeitura fazendo vistas grossas para as nossas exigências e se recusando a dialogar com os diversos grupos de ciclismo da cidade. Esquece porém, que o período eleitoral está chegando e que em cima de cada bicicleta há um eleitor, muitos deles formadores de opinião e que podemos influenciar o resultado eleitoral, mas para isto basta nos organizarmos. Unidos somos fortes e podemos propor soluções viáveis e de baixo custo para a mobilidade na caótica São Jorge dos Ilhéus. Agora, não venham os responsáveis pela administração municipal com propostas mirabolantes de ciclovias e ciclofaixas que ligam o “nada ao lugar nenhum”, pois estamos atentos para isto. Queremos vias que liguem o “algo ao lugar algum” e que atendam aos trabalhadores e trabalhadoras de Ilhéus, não apenas uma pequena faixa para turista ver durante o verão. Senhores administradores de Ilhéus, lembrem-se: em cima de cada bicicleta existe uma vida e a bicicleta pode ser trocada por uma nova, já a vida…

Estamos nos mobilizando, estamos fortes, estamos vivos!

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